Violência e gestão

Recursos finitos para demandas infinitas. Esta é a realidade da equação entre as demandas da população brasileira e os recursos financeiros disponíveis para investimento em saúde, educação, segurança e infraestrutura. Somados todos esses segmentos, é possível dizer que o resultado dessa operação pode ser sentido nos índices de violência que assombram – e atingem diretamente – a população. Como taxas de homicídios 30 vezes superiores às europeias.

A relação entre criminalidade e investimentos é direta e proporcional: quanto mais os 5.570 municípios invés tem nos pilares básicos que o Índice de Gestão Municipal Aquila (IGMA) considera fundamentais para o país – educação, saúde e bem-estar, infraestrutura e mobilidade urbana, eficiência fiscal e transparência, desenvolvimento socioeconômico e ordem pública –, maiores são as chances de o Brasil atingir excelência. E ter seus índices de violência reduzidos.

Mas é essencial e urgente priorizar e direcionar investimentos e implantar métodos de gestão, principalmente em períodos de crise econômica iguais ao que o país atravessa. Aplicar recursos com eficiência máxima em projetos estruturais que de fato vão impactar a vida do cidadão, gerando ciclo de desenvolvimento socioeconômico.

Por meio de gestão eficiente, apoiada em indicadores oficiais, é possível reduzir a violência a partir do direcionamento de esforços que impedem o gasto desordenado, uma vez que os municípios têm realidades diferentes. Por meio do IGMA, por exemplo, o gestor consegue identificar que 12% dos municípios do país, ou seja, 644 deles, concentram 80% dos homicídios no território nacional. Ou seja, políticas públicas específicas direcionadas a esses municípios impactaria direta e positivamente 80% dos homicídios do país. Hoje, a média brasileira é de 33 homicídios por 100 mil habitantes. Dezenove dos 26 Estados estão acima dessa média.

Trazendo os holofotes para Minas Gerais, apesar de figurarmos entre os cinco Estados com 53% dos municípios com percentuais de homicídios considerados aceitáveis pela ONU, 14% das cidades mineiras têm taxas de homicídios acima da taxa média do Brasil, com 30,33 homicídios por 100 mil habitantes.

Índices de gestão como o IGMA permitem lançar luz sobre o mapa nacional e entender que o Brasil ainda está longe de atingir a excelência quando o assunto é a qualidade de vida nos municípios. Apenas oito atingiram a pontuação de mais de 80% estabelecida pelo índice para classificar um município excelente. Cerca de 2.300 desses, ou 40%, foram considerados críticos.

Tratar a violência é tratar de um sintoma estrutural. O Brasil e Minas Gerais não podem perder tempo para lançar mão das ferramentas de gestão para dar foco aos projetos em andamento no país. Direcionar recursos financeiros visando ao crescimento de longo prazo para que possamos, finalmente, ingressar em um círculo virtuoso que nos leve à redução de homicídios e queda nas taxas de violência. É possível. Mas é urgente.

Artigo veiculado no Jornal O Tempo do dia 10/07/19

Rodrigo Neves

Rodrigo Neves

Economista pela UFMG, pós graduado em Finanças pela PUC MG, Black Belt em Lean six sigma e com 10 anos de consultoria em gestão, atuando em diversos segmentos, sendo especialista em excelência comercial, gestão pública e inteligencia competitiva.

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