Índice IGMA coloca Belo Horizonte como a quinta capital mais eficiente do país

Belo Horizonte é a quinta capital mais eficiente do país e a segunda da região Sudeste. Os dados são resultado do Índice de Gestão Municipal Aquila (IGMA), compilados pelo Instituto Aquila após sete anos de estudo. Com nota 67,13, BH só não se destaca mais porque não apresenta bons resultados no quesito infraestrutura e mobilidade urbana, com pontuação 56,13.

Foram avaliados cinco patamares: eficiência fiscal e transparência, educação, saúde e bem-estar, infraestrutura e mobilidade urbana e desenvolvimento socioeconômico e ordem pública. A soma deles forma o IGMA, que utiliza dados públicos federais e é atualizado automaticamente. “Sempre que a União atualiza algum dado, o nosso sistema também muda”, afirma o sócio do Instituto Aquila, Rodrigo Neves.

Quanto mais próximo de 100, mais desenvolvido é o município. Quando a cidade está entre 65 e 80, significa que ela possui bom desempenho gerencial. Entre 50 e 65, algum pilar precisa ser revisto e quando o índice é menor que 50 o município é considerado em estado crítico.
Quando comparada às demais capitais do Sudeste, Belo Horizonte só fica atrás de Vitória, com IGMA de 68,21. Em terceiro lugar vem São Paulo, com 65,18, e o Rio de Janeiro ocupa a última posição, com 60,41. 

No pilar educação, no entanto, a capital mineira tem o melhor indicador da região, com 72,51, enquanto a cidade capixaba apresenta índice de 62,28. As Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis), vale ressaltar, são consideradas referência nacional em estrutura e ensino. 

Em contrapartida, em infraestrutura e mobilidade urbana, Belo Horizonte tem indicador 56,13, ficando à frente apenas do Rio de Janeiro, com índice 56,02. Conforme Neves, o tempo de deslocamento casa/trabalho em BH é maior do que em outras capitais. O motivo é a necessidade de melhoria do serviço de transporte público. “As pessoas acabam investindo em carro e a frota da cidade fica maior. Dessa forma, o trânsito fica mais lento”, explica. Enquanto a média brasileira de veículos por habitante é de 0,8, em Minas a razão é 0,4, ou seja, o dobro.

Conforme o Gerente de Indicadores na Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão da prefeitura de Belo Horizonte, Rodrigo Nunes, o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, uma das bases do relatório, ainda não leva o Move em consideração. “Os próximos resultados serão melhores, pois o Move agiliza o trânsito”, explica. Além disso, ele afirma que a PBH tem desenvolvido projetos para aumentar o adensamento próximo aos corredores de ônibus.

Retroalimentação
Segundo o sócio do Instituto Aquila, quando os cinco pilares estão saudáveis, há uma espécie de retroalimentação. Ou seja, a engrenagem do sistema funciona. “Se saúde e educação vão bem e há transparência da gestão, as pessoas trabalham e as riquezas do município refletem em desenvolvimento”, explica Neves.

Ele destaca que não é possível comparar Belo Horizonte com as demais cidades do Estado pelo fato de a capital ser mais complexa na hora de administrar. “As proporções são muito distintas. Belo Horizonte é uma cidade grande com problemas de cidade grande. O certo é comparar BH com outras capitais”, diz. O executivo destaca que as cidades menores entram e saem de ciclos de desenvolvimento com mais rapidez. 

Indicador aponta também que 172 municípios no Estado estão em situação crítica

Em Minas Gerais, 172 cidades apresentam IGMA abaixo de 50, o equivalente a 18%, e são consideradas como em situação crítica. A falta de repasse do antigo governo estadual aos municípios, como ocorreu, faz com que os indicadores apresentem pioras drásticas. Localizado no Vale do Jequitinhonha, Ladainha ocupa a amarga última posição no ranking, com IGMA de 29,19.

O fato de a nota do Ideb não ter sido lançada puxa o IGMA para baixo. Como não há a informação e o Instituto Aquila trabalha com dados, o pilar foi zerado no levantamento. Mas, mesmo assim, o desempenho não é satisfatório. Pelo contrário. Todos os pilares analisados apresentaram nota abaixo de 50, indicando que o município apresenta situação crítica.

Conforme o prefeito, Walid Oliveira (PSDB), o atraso da gestão anterior do Estado no repasse de verbas da educação e da saúde têm prejudicado a cidade, de 18 mil habitantes. “Tem verbas da saúde que não chegam desde 2016. E o Fundeb também não está sendo repassado. Como vamos melhorar a saúde a educação se não temos dinheiro, por exemplo?”, questiona. Ele estima que o gestão Pimentel deixou dívida de R$ 6,5 milhões com Ladainha.

O sócio do Instituto Aquila e responsável pela pesquisa, Rodrigo Neves, afirma que para cada R$ 1 repassado pelo Estado ou União, o município que apresenta bom desempenho produz outros R$ 0,17. Quando a cidade está em situação crítica, no entanto, ela só consegue gerar outros R$ 0,7, redução de 93% no retorno. 
“E, quando há atraso no repasse, os reflexos são ainda maiores. Sobra menos dinheiro para melhorar a situação”, diz o especialista. Hoje, conforme Neves, 40% dos municípios brasileiros apresentam IGMA inferior a 50. E apenas 11 cidades tem indicador superior a 80. Nenhuma delas em Minas Gerais.

Em terras mineiras, o município de Cachoeira Dourada, no Triângulo, apresenta o melhor IGMA entre as 853 cidades, com nota 76,71. Os indicadores desenvolvimento socio-econômico e ordem pública e infraestrutura e mobilidade urbana se destacam com notas 88,38 e 82,64, respectivamente.
Saúde tem índice 78,69, educação 71,82 e eficiência e transparência fiscal apresenta o pior indicador da cidade, com 61,99. Até o fechamento desta edição, a gestão Pimentel não havia se pronunciado.

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